quinta-feira, 10 de abril de 2008

Perguntas idiotas? Respostas cretinas!

Foto: Autor desconhecido
Se existe uma coisa no mundo que se prolifera mais depressa que bactéria é a pergunta idiota. É impressionante a velocidade com que esta praga voa da boca dos mais desavisados para os ouvidos de gente irritável como eu. É quase uma maldição! Já reparou? Multiplicam-se também os posts – tais como este meu – de gente que não suporta este flagelo.
Tudo bem, eu confesso que muitas vezes eu tolero uma ou outra pergunta deste gênero. Ou para ser simpática ou porque, eventualmente, cabe a pergunta por mais óbvia que possa vir a ser a resposta. Porém há casos em que eu tenho que clamar pela Santa Paciência antes de dar a resposta mais cretina do universo. Em algumas ocasiões a Santa falha...
Se eu estiver saindo de casa, por exemplo, e o porteiro perguntar “A senhora vai sair?” em um bom dia eu vou apenas responder que sim com um sutil sorriso nos lábios. Não porque a questão seja pertinente – sim porque se eu estou na portaria do prédio em direção à rua não estou tentando entrar, não é? – mas apenas por simpatia. Há certo teor preconceituoso no que direi, mas acho mesmo que se ele fosse mais inteligente do que isso então ele não seria porteiro e, deste modo, acredito que a pergunta imbecil é o melhor que ele pode fazer.
Por outro lado, casualmente a pergunta pode ter cabimento, mas não fica menos estúpida por isso. Realize a cena: São 10:00 horas da manhã de sábado. O sujeito está em casa e toca o telefone. Ele atende e o amigo pergunta “Acordei você?”. A pergunta é idiota? Sim. E o é porque agora que o sujeito está ao telefone não faz mais nenhuma diferença – nem a ele e nem ao amigo – qual atividade o cara exercia antes de atender à ligação. A pergunta é legítima? Claro! O infeliz poderia estar dormindo, como poderia estar se barbeando ou tomando café da manhã. Trata-se de curiosidade e, portanto de uma pergunta totalmente desnecessária, mas o intuito do amigo poderia ser apenas desculpar-se pelo infortúnio.
O que é sofrível mesmo são aquelas perguntas que de tão imbecis passaram a compor piadas. Em alguns dias eu apenas me irrito. Em outros eu me descontrolo. E quando elas vêm de alguém que me conhece bem? Eu piro!
Certa vez, eu que tinha os cabelos compridos na altura da cintura estava no trabalho e saí para almoçar. Utilizei-me do intervalo regular da jornada de trabalho para ir ao salão de cabeleireiro. Voltei uma hora depois com as madeixas em estilo chanel. Eis que o camarada pergunta: “Cortou o cabelo?”. Enlouqueci e respondi logo: “Não. Ele encolheu!”
Em outra oportunidade um grupo de amigos havia combinado uma reunião na casa de um deles. Estava marcado para 19:00 horas e eu só consegui chegar com mais de duas horas de atraso. Logo fui justificando: “Desculpem-me, mas eu só consegui sair do Banco - lembre-se leitor que sou bancária, o.k.? - às 20:45.”. Imediatamente um deles pergunta “Estava trabalhando?”. Não. Eu estava jogando futebol! Não é isso que você faz no escritório?
Hello! Por acaso isso é tipo de pergunta que se faça? Se a pessoa não tem nada melhor para dizer, por que diabos não fica quieta?
Perguntas desta natureza não são só imbecis. Elas são irritantes e simplesmente não mereceriam qualquer resposta. Mas eu dou. Em algumas oportunidades não dá pra ignorar. Às vezes estou mais suscetível e uma pergunta dessas me tira do sério! E tem mais exemplos:
a. Chegando da manicure: “Foi fazer as unhas?” Não. Fui amputar os dedos!
b. Chegando ao trabalho com os pés molhados e guarda chuva nas mãos: “Está chovendo?” Não. Parei no banheiro e me molhei na pia só pra enganar você!
c. Acendendo o cigarro depois do almoço: “Você fuma?” Não. Eu só gosto de acender e jogar fora!
Irritou? Eu me irrito. E muito!
Certas vezes eu me pego pensando se eu também não irrito os outros com isso. E a resposta é sim. É a tal da pergunta que está embutida em todo mundo. E eu busco me controlar. Então recomendo: controle-se! Se cada um fizer um pouquinho a coisa vai melhorar. Eu acredito nisso. E você?